Pampelum é uma cidade [na verdade uma cidade-estado, um pequeno país no interior de um grande continente, mas não se incomode quando eu chamar de cidade] muito especial, com muitas peculiaridades. Quando passeamos por Pampelum uma das coisas que costumam chamar atenção é a ausência de imagens e templos religiosos. É isso mesmo, não adianta procurar uma grande catedral na praça central que você não encontrará. Muitos visitantes deixam a cidade com a impressão de que os pampelúmicos não são religiosos. Mas quero contar um segredinho para você.
Na verdade, os pampelúmicos possuem uma vibrante espiritualidade [sobre isso falerei num próximo post] que é imperceptível por muitos que estão acostumados com as expressões convencionais. É comum entre os pampelúmicos haver uma grande apatia diante de discussões religiosas e grande cuidado com a ostentação de ícones que podem dividir ou ferir a consciência do outro, principalmente em espaços públicos. Isso porque Pampelum historicamente vem recebendo muitos refugiados de cruéis guerras religiosas que dividiram famílias, oprimiram minorias e mataram milhões de pessoas. São corações feridos que encontraram remédio nessa cidade. Por isso é comum ouvir o jargão: “Religião não se discute”. Mas isso não quer dizer que ela não seja importante, não seja vivida, entende?
Religião fundada no exclusivismo e medo realmente não tem lugar ali, mas existe algo realmente mais profundo, inclusivo e encantador que vale a pena ser desvendado. Em Pampelum Deus brinca de esconde-esconde. Respondendo a um questionamento sobre sua religião, Einstein disse o seguinte: “Tente penetrar, com nossos limitados meios, nos segredos da natureza, e descobrirá que por trás de todas as leis e conexões discerníveis, permanece algo sutil, intangível e inexplicável. A veneração por essa força além de qualquer coisa que podemos compreender é a minha religião. Nesse sentido eu sou, de fato, religioso”. Será que ele experimentou uma espiritualidade semelhante a dos pampelúmicos? Intuo que sim.