domingo, 13 de junho de 2010

Só entre nós

[É hora de contar um segredinho]

Pampelum é uma cidade [na verdade uma cidade-estado, um pequeno país no interior de um grande continente, mas não se incomode quando eu chamar de cidade] muito especial, com muitas peculiaridades. Quando passeamos por Pampelum uma das coisas que costumam chamar atenção é a ausência de imagens e templos religiosos. É isso mesmo, não adianta procurar uma grande catedral na praça central que você não encontrará. Muitos visitantes deixam a cidade com a impressão de que os pampelúmicos não são religiosos. Mas quero contar um segredinho para você.

Na verdade, os pampelúmicos possuem uma vibrante espiritualidade [sobre isso falerei num próximo post] que é imperceptível por muitos que estão acostumados com as expressões convencionais. É comum entre os pampelúmicos haver uma grande apatia diante de discussões religiosas e grande cuidado com a ostentação de ícones que podem dividir ou ferir a consciência do outro, principalmente em espaços públicos. Isso porque Pampelum historicamente vem recebendo muitos refugiados de cruéis guerras religiosas que dividiram famílias, oprimiram minorias e mataram milhões de pessoas. São corações feridos que encontraram remédio nessa cidade. Por isso é comum ouvir o jargão: “Religião não se discute”. Mas isso não quer dizer que ela não seja importante, não seja vivida, entende?

Religião fundada no exclusivismo e medo realmente não tem lugar ali, mas existe algo realmente mais profundo, inclusivo e encantador que vale a pena ser desvendado. Em Pampelum Deus brinca de esconde-esconde. Respondendo a um questionamento sobre sua religião, Einstein disse o seguinte: “Tente penetrar, com nossos limitados meios, nos segredos da natureza, e descobrirá que por trás de todas as leis e conexões discerníveis, permanece algo sutil, intangível e inexplicável. A veneração por essa força além de qualquer coisa que podemos compreender é a minha religião. Nesse sentido eu sou, de fato, religioso”. Será que ele experimentou uma espiritualidade semelhante a dos pampelúmicos? Intuo que sim.

10 comentários:

  1. Cara, suas análises são brilhantes. Podemos formar uma boa parceria. Você domina bem essas questões acerca de cosmovisão. Você precisa sistematizar isso numa apresentação para congressos e ser mais um de nossa geração a ser uma voz de renovo acerca da fé cristã.
    abraços
    tiago

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  2. no meu céu, a religiosidade é como a de Pampelum! hahahah
    Adoro essa cidade! é por isso que estou pensando em comprar minha casinha aqui!
    Abraços

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  3. Cidadezinha bacana. Parece uma grande seita, mas projeta uns valores de comunidade... Gostei!

    Estou lendo ¹Rubem Alves e ²Leonardo Boff... Os dois, ao mesmo tempo! No ciberespaço, leio o Pampelum... Estou gostando muito. O Robson parece um agente subversivo. Às vezes, ele me assusta. Mas, no final das contas, sempre gosto muito. haha

    Aguardo outros segredinhos... =)

    ¹Perguntaram-me se acredito em Deus
    ²Eclesiologia: A Reinvenção da Igreja

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  4. é isso aí, é isso aí. ou não. mas o que importa é a permitir a possibilidade.

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  5. Me lembrei das aulas de filosofia... Espero que em Pampelum as pessoas possam conversar horas a fio, sem se preocuparem em reijeição e opressão por enxergar Deus de formas diferentes...

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  6. Amigos,

    Esse post foi escrito por um grande conhecedor da cultura pampelúmica [embora seja estrangeiro]. Ele ainda vai contar muitos outros segredinhos pra nós.

    Obrigado pelos comentários!

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  7. Que buen post, al parecer los Pampelúmicos son muy espirituales y creyentes, pero no basándose en otras culturas, sino que viven y sienten la forma de ser de su propia cultura y sus tradiciones.
    De cierta forma los extranjeros han discriminado la forma de espiritismo que tienen ellos, pero bueno, eso existe en todo el mundo. A diferencia de acá, esta ciudad es toda así, con una forma diferente de vivir la religión

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  8. Bonito aqui! Eu viajei...as cores...tanta coisa!
    Quero brincar de esconde-esconde.
    Savana

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  9. 1 Co. 1.18-25 dizem:

    Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus.

    Pois está escrito: "Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes".

    Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?

    Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação.

    Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus.

    Porque a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus é mais forte que a força do homem.

    Quando rejeitamos alguns abusos do cristianismo verdadeiro, temos que ter cuidado de não jogar o real fora com o falso. Vamos ver se você conseguir jogar fora somente o falso, Robson.

    Abração!

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  10. Você escreveu: "Religião fundada no exclusivismo e medo realmente não tem lugar ali..." Não seria o cristianismo justamente isto no caso da pessoa no "caminho largo"? Jesus afirmou ser o ÚNICO caminho, que é exclusivista ao máximo, né? E Ele fala diretamente ou indiretamente em 167 versículos nos quatro evangelhos sobre o inferno - o destino da grande maioria dos residentes da sua querida Pampelum, se não todos. É para dar medo mesmo, especialmente naqueles que escolheram ignorar as placas de saída para o Caminho estreito em prol do caminho largo que os levou à sua cidade supostamente tão ideal.

    Você está em qual "caminho" agora, Robson?

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